sexta-feira, agosto 22

nós antigos desatados espelho meu
tão importantes quanto o sinistro sol
que alonga sombra a madrugada

cartas, cantiga caminhos e sal
calvo, gordo de perfumes no meu papel


T.

terça-feira, maio 3


no prazer da contradança
minueto em salão azul
teu gesto paralizado
sonha meu lugar nenhum

T
dos passos quando pisou o mundo
vagas pegadas

nos traços
em sonho
sabia-se água

nos passos
seu mundo
areia molhada



T
entro azul
lua entre nuvens na janela
falares sempre bons

quiero ver el si y el como
luna
aquella oculta nueva



T
bebo recantos
os vales caídos
todos liquidos
não desenham a razão
nem sequer acompanham 
meu bem estar

que diria a neguinha
maturada em gaiola de vidro
/ se no coração impreciso_ perduram silêncios?/

T
quando meu cavalo marinho
pousa
é galope além mar


T.
desde rastros me aponte
ruídos de sal sim salgados
me apraz ver atrás do longe
teus restos
distante acolhida

T.
caminha flores
disfarça ventos
embala cores
come tempestades

fina ironia do encanto



T.
conta por conta
branca doura
pérola perdida
no desviar de quem segue
secreto rastro


T.

dentre todos os ventos, moinho
te escolhi certeiro
já sabido ar
já pasmo alento


 estranha boca meu mar
antiga onda

T
deuses negros, tritãos
esculpidos nas rochas
mar e vento, colossos
montados em jegues
embrutecidos navios ao longe,
indiferente azul intenso e profundo do mar
como um amante que não conquistamos,
como o destino
ilegítimo.

T
atraso
barca perdida
não havia lugar
e chovia

...junto a isso um endereço
bela paisagem é janela
um ponto em manutenção

T
gongo do dia
do tempo perdido aurora
rubro cálice fim

quarta-feira, novembro 17

árvore
alta de raízes
veios que nutrem o chão
brancos perpétuos de línguas que atentam
mudez

agente da memória
silêncio
redondeza na forma, no comprimento do teu perfil.
o que esconde o corpo, o sorriso no corpo
e seca o risco da manhã.
o medo morre
o medo é a sorte da morte
o tempo


T__

na hora muda
a sem lingua
 o  verbo escorre pelo ralo da pia
não é tarde
num golpe pode um corpo
despertar


T.
bautizada La Certeza
la nave a la deriva
carga las cuatro caras de la luna
llena de si ni como
lleva lo fué y lo será

es sueño

T.
tempo afora
diz-me quão
é teu júbilo
já que som e fúria
entre nós fluamente
col meia
 
T
sólidos vento e chuva
sonho palavra chave
reflexa lua em poça d´agua
estampa tua imagem

T.

terça-feira, novembro 16

quero ouvir a chuva triste sol sereno
sorrir por trás das nuvens
meu trovão
meu sal
teu remo

T.

domingo, novembro 14

sexta-feira, novembro 12

antes da chuva 
vento ao contrário
pausa do alento
silêncio de pássaro

segunda-feira, setembro 27


pintura e colagem em vidro/ releituras Fornasetti 2002. Maria Tereza Prado

quinta-feira, julho 22

quando tudo vem o cão late
quando tudo tem já é tarde
quando tudo sem o sol arde

segunda-feira, julho 5

dentre todos os ventos, moinho
te escolhi certeiro
já sabido ar
já pasmo alento


estranha boca meu mar
antiga onda

quinta-feira, abril 29

gesto beira a causar
beira profundo ar
bela palmeira

sábado, janeiro 16

o mesmo sabiá
hora do dia
entrelaçada raíz
poros ecos
chuva de ouro

quinta-feira, outubro 29

o que diz primavera,
inverno e chuva de ontem
ao desespero dos olhos salgados?
o que me diz lágrima que lambe a epiderme?
no ácido oco do peito
toda verdade ri?

T.

sábado, outubro 24

subtraído ao contrário
escura soma obsessão
pausa hora
ausculta
rangem mandíbulas coração


T.

sexta-feira, outubro 23

carmim frisante
rubra chuva suspensa
dispersa o sal
desdobra o mar

é
sangue


T.

sexta-feira, junho 12

particulas de atención
saben la mitad de la mitad
saben a que?

particulas de atención
saben a miel
ilusoria colmena

particulas de atención
hacen zun zun
hacen zun zun y pronto

T.

terça-feira, julho 22

ela conhecia a inquietação
amava todas as diferenças
dois gatos cruzando a mesma rua
indiferentes frente ao confronto que viria
quase dançava, quase escrevia
atrás de uma janela cantava
para o fino pó descoberto pelo sol
estranha coreografia
ela conhecia a inquietação
o passar das horas
os reflexos na vidraça
o fim do dia

T.
teu sono um presente
ladra vigília

quarta-feira, fevereiro 21

uma senhora
que padece o equivocar
que se alegra em confundir

T.

segunda-feira, fevereiro 19

aquela que frágil sou
olha pra mim desconfiada
procurando entender o sentido das frases
que povoam este ar cansado
se o quebra-cabeça der certo
uma será sorteada
e chegará à boca
que escondida ri as minhas custas
elas vêm quando não penso
cretinas e dissipadas
falam por mim ali quando aqui conversa o som
música que me faz pensar sem palavras
enquanto aquela que frágil sou
segue desconfiada

T.
sou uma velha
e sábia chinesa

pirata cigana

quando dormires
ao vento
no segundo após o uivo
sonharás minha palavra

sou o ponto
de um dardo
em seu mapa

a oferecer una buenaventura

T.

sábado, fevereiro 10

te encontro
réstia de sonho
vento a perfurar-me
mesmo que fujas fingindo um suspiro
hoje olhar oblíquo
amanhã
mar adentro de tormenta calma
até quando, doce encanto
seguirei colecionando os fragmentos que espalhaste?
quando por fim, despido de miragem
teu branco coração?

tereza prado.

quarta-feira, abril 12

hilo
lejos
ojos
quedan

hilos
cerca
ojos
sedan

ojos
lejos
tan azules

quedan hilos
horizontes

tereza prado.