o que diz primavera,
inverno e chuva de ontem
ao desespero dos olhos salgados?
o que me diz lágrima que lambe a epiderme?
no ácido oco do peito
toda verdade ri?
T.
Quinta-feira, Outubro 29
Sábado, Outubro 24
tendo que sol e chama
coral
vento azedume doce
vem
baila tristume
teu destino em mais de um
belo vou seta quieta
nunca no mais deserto
acabas de aumentar o teu destino
em mais de um
T.
coral
vento azedume doce
vem
baila tristume
teu destino em mais de um
belo vou seta quieta
nunca no mais deserto
acabas de aumentar o teu destino
em mais de um
T.
Sexta-feira, Outubro 23
Sexta-feira, Junho 12
en tiempos como estos
particulas de atención
saben la mitad de la mitad
saben a que?
particulas de atención
saben a miel
ilusoria colmena
particulas de atención
hacen zun zun
hacen zun zun y pronto
T.
saben la mitad de la mitad
saben a que?
particulas de atención
saben a miel
ilusoria colmena
particulas de atención
hacen zun zun
hacen zun zun y pronto
T.
Terça-feira, Julho 22
ela conhecia a inquietação
amava todas as diferenças
dois gatos cruzando a mesma rua
indiferentes frente ao confronto que viria
quase dançava, quase escrevia
atrás de uma janela cantava
para o fino pó descoberto pelo sol
estranha coreografia
ela conhecia a inquietação
o passar das horas
os reflexos na vidraça
o fim do dia
T.
amava todas as diferenças
dois gatos cruzando a mesma rua
indiferentes frente ao confronto que viria
quase dançava, quase escrevia
atrás de uma janela cantava
para o fino pó descoberto pelo sol
estranha coreografia
ela conhecia a inquietação
o passar das horas
os reflexos na vidraça
o fim do dia
T.
Sexta-feira, Março 7
algo na voz
e dentro dos olhos
de algo serpente
me diz quer e faz
seguir ternamente seu rastro caminho
algo de nós
nos olhos aguados
na voz da serpente
aguarda quanto queira o que era
tereza prado
e dentro dos olhos
de algo serpente
me diz quer e faz
seguir ternamente seu rastro caminho
algo de nós
nos olhos aguados
na voz da serpente
aguarda quanto queira o que era
tereza prado
Quarta-feira, Fevereiro 21
Segunda-feira, Fevereiro 19
aquela que frágil sou
olha pra mim desconfiada
procurando entender o sentido das frases
que povoam este ar cansado
se o quebra-cabeça der certo
uma será sorteada
e chegará à boca
que escondida ri as minhas custas
elas vêm quando não penso
cretinas e dissipadas
falam por mim ali quando aqui conversa o som
música que me faz pensar sem palavras
enquanto aquela que frágil sou
segue desconfiada
tereza prado
olha pra mim desconfiada
procurando entender o sentido das frases
que povoam este ar cansado
se o quebra-cabeça der certo
uma será sorteada
e chegará à boca
que escondida ri as minhas custas
elas vêm quando não penso
cretinas e dissipadas
falam por mim ali quando aqui conversa o som
música que me faz pensar sem palavras
enquanto aquela que frágil sou
segue desconfiada
tereza prado
sou uma velha
e sábia
chinesa
pirata cigana
quando dormires
ao vento
no segundo após o uivo
sonharás minha palavra
sou o ponto
de um dardo
em seu mapa
a oferecer una buenaventura
tereza prado
e sábia
chinesa
pirata cigana
quando dormires
ao vento
no segundo após o uivo
sonharás minha palavra
sou o ponto
de um dardo
em seu mapa
a oferecer una buenaventura
tereza prado
Sábado, Fevereiro 10
te encontro
réstia de sonho
vento a perfurar-me
mesmo que fujas fingindo um suspiro
hoje olhar oblíquo
amanhã
mar adentro de tormenta calma
até quando, doce encanto
seguirei colecionando os fragmentos que espalhaste?
quando por fim, despido de miragem
teu branco coração?
tereza prado.
réstia de sonho
vento a perfurar-me
mesmo que fujas fingindo um suspiro
hoje olhar oblíquo
amanhã
mar adentro de tormenta calma
até quando, doce encanto
seguirei colecionando os fragmentos que espalhaste?
quando por fim, despido de miragem
teu branco coração?
tereza prado.
Quarta-feira, Abril 12
Segunda-feira, Julho 11
Vaga no olho molhado dor contida. Fica lá quase transbordando, quase querendo voltar a sentimento em ebulição, nó na garganta, dor no peito, frio no estômago. Olho avesso ao espelho, boca calada a palavra. Olho que fica. Olho que se agita irado. Vê o tropeço, lê o oculto, sabe o que esconde. Olha por dentro. Lembra o começo. Olho devoto. Olhos sublimes. Olha o que quer. Cala o que vê. Olhos que iludem, olhos enganados, olho vendado. Olhos nadam, olhos pescam, olhos voam, olhos andam por aí abstraídos do resto do corpo. Olhos têm vida própria e esperam. Ah! Como esperam!olhos de futuro viajante ainda preso ao passado
olhos que inventam histórias e acreditam nelas
Abro os olhos
Olhos de espanto
piscam de quando em quando.
tereza prado.
colagem e pintura em prato de vidro, 26cm / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variations

colagem e pintura em prato de vidro, 26cm / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variations
arranca o tempo
espaço de mim
antes que cedo ou tarde
sombra de quem invade
dentro do espaço de mim
que então recebe em demasia
e lança setas que voltam
a esse espaço de mim vazio
pardo
negro
ou escarlate
tereza prado
Sexta-feira, Março 11
Quinta-feira, Fevereiro 3
noite

colagem e pintura em prato de vidro, 26cm / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variations
Terça-feira, Fevereiro 1
e dia

colagem e pintura em prato de vidro, 26cm / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variations
Quinta-feira, Janeiro 20
O ataque do presente contra o restante do tempo

colagem e pintura em prato de vidro / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variantions
foto / fabiola pereira
noites e dias entre duas cidades tamanha ilusão/
de nada serve/
mesmo que o telefone toque neste instante/
nós já temos um passado ouvi um dia/
o ataque do presente contra o restante do tempo foi um filme que perdi/
e mesmo assim ainda te quero
isso não se pontua entre duas cidades o telefone toca e nesse instante
tamanha ilusão cresce/
e uma espécie de presente arranca o restante do tempo
esse filme que quero ver/
e sinto que mais e mais te quero/
um ponto fugindo do fim/
tereza prado.
A Espera

colagem e pintura em prato de vidro, 26cm / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variations
a espera pode ser vermelha
mal estar no sonho
panela de pressão
chuva suspensa
vento no ouvido
pode até gritar
mas ainda é espera
tereza prado.
Quarta-feira, Janeiro 19
O Desconsolo

O Desconsolo / maria tereza prado
colagem e pintura em prato de vidro, 26cm
sobre imagem de M.Parrisch, Lady Ursula
Depois de agora
vem o que foi antes
e antes foi o que será agora
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