quarta-feira, fevereiro 21

uma senhora
que padece o equivocar
que se alegra em confundir

T.

segunda-feira, fevereiro 19

aquela que frágil sou
olha pra mim desconfiada
procurando entender o sentido das frases
que povoam este ar cansado
se o quebra-cabeça der certo
uma será sorteada
e chegará à boca
que escondida ri as minhas custas
elas vêm quando não penso
cretinas e dissipadas
falam por mim ali quando aqui conversa o som
música que me faz pensar sem palavras
enquanto aquela que frágil sou
segue desconfiada

T.
sou uma velha
e sábia chinesa

pirata cigana

quando dormires
ao vento
no segundo após o uivo
sonharás minha palavra

sou o ponto
de um dardo
em seu mapa

a oferecer una buenaventura

T.

sábado, fevereiro 10

te encontro
réstia de sonho
vento a perfurar-me
mesmo que fujas fingindo um suspiro
hoje olhar oblíquo
amanhã
mar adentro de tormenta calma
até quando, doce encanto
seguirei colecionando os fragmentos que espalhaste?
quando por fim, despido de miragem
teu branco coração?

tereza prado.

quarta-feira, abril 12

hilo
lejos
ojos
quedan

hilos
cerca
ojos
sedan

ojos
lejos
tan azules

quedan hilos
horizontes

tereza prado.

segunda-feira, julho 11

Vaga no olho molhado dor contida. Fica lá quase transbordando, quase querendo voltar a sentimento em ebulição, nó na garganta, dor no peito, frio no estômago. Olho avesso ao espelho, boca calada a palavra. Olho que fica. Olho que se agita irado. Vê o tropeço, lê o oculto, sabe o que esconde. Olha por dentro. Lembra o começo. Olho devoto. Olhos sublimes. Olha o que quer. Cala o que vê. Olhos que iludem, olhos enganados, olho vendado. Olhos nadam, olhos pescam, olhos voam, olhos andam por aí abstraídos do resto do corpo. Olhos têm vida própria e esperam. Ah! Como esperam!

olhos de futuro viajante ainda preso ao passado
olhos que inventam histórias e acreditam nelas


Abro os olhos

Olhos de espanto
piscam de quando em quando.

T.
colagem e pintura em prato de vidro, 26cm / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variations

colagem e pintura em prato de vidro, 26cm / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variations


arranca o tempo
espaço de mim
antes que cedo ou tarde
sombra de quem invade
dentro do espaço de mim
que então recebe em demasia
e lança setas que voltam
a esse espaço de mim vazio

pardo

negro

ou escarlate



tereza prado


quinta-feira, fevereiro 3

noite


colagem e pintura em prato de vidro, 26cm / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variations

terça-feira, fevereiro 1

e dia


colagem e pintura em prato de vidro, 26cm / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variations

quinta-feira, janeiro 20

O ataque do presente contra o restante do tempo


colagem e pintura em prato de vidro / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variantions
foto / fabiola pereira

noites e dias entre duas cidades tamanha ilusão/
de nada serve/
mesmo que o telefone toque neste instante/
nós já temos um passado ouvi um dia/
o ataque do presente contra o restante do tempo foi um filme que perdi/
e mesmo assim ainda te quero
isso não se pontua entre duas cidades o telefone toca e nesse instante
tamanha ilusão cresce/
e uma espécie de presente arranca o restante do tempo
esse filme que quero ver/
e sinto que mais e mais te quero/
um ponto fugindo do fim/


tereza prado.

A Espera


colagem e pintura em prato de vidro, 26cm / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variations


a espera pode ser vermelha
mal estar no sonho
panela de pressão
chuva suspensa
vento no ouvido
pode até gritar
mas ainda é espera



tereza prado.

quarta-feira, janeiro 19

O Desconsolo


O Desconsolo / maria tereza prado

colagem e pintura em prato de vidro, 26cm
sobre imagem de M.Parrisch, Lady Ursula


Depois de agora
vem o que foi antes
e antes foi o que será agora