o mesmo sabiá
hora do dia
entrelaçada raíz
poros ecos
chuva de ouro
sábado, janeiro 16
quinta-feira, outubro 29
sábado, outubro 24
sexta-feira, outubro 23
sexta-feira, junho 12
terça-feira, julho 22
ela conhecia a inquietação
amava todas as diferenças
dois gatos cruzando a mesma rua
indiferentes frente ao confronto que viria
quase dançava, quase escrevia
atrás de uma janela cantava
para o fino pó descoberto pelo sol
estranha coreografia
ela conhecia a inquietação
o passar das horas
os reflexos na vidraça
o fim do dia
T.
amava todas as diferenças
dois gatos cruzando a mesma rua
indiferentes frente ao confronto que viria
quase dançava, quase escrevia
atrás de uma janela cantava
para o fino pó descoberto pelo sol
estranha coreografia
ela conhecia a inquietação
o passar das horas
os reflexos na vidraça
o fim do dia
T.
segunda-feira, fevereiro 19
aquela que frágil sou
olha pra mim desconfiada
procurando entender o sentido das frases
que povoam este ar cansado
se o quebra-cabeça der certo
uma será sorteada
e chegará à boca
que escondida ri as minhas custas
elas vêm quando não penso
cretinas e dissipadas
falam por mim ali quando aqui conversa o som
música que me faz pensar sem palavras
enquanto aquela que frágil sou
segue desconfiada
T.
olha pra mim desconfiada
procurando entender o sentido das frases
que povoam este ar cansado
se o quebra-cabeça der certo
uma será sorteada
e chegará à boca
que escondida ri as minhas custas
elas vêm quando não penso
cretinas e dissipadas
falam por mim ali quando aqui conversa o som
música que me faz pensar sem palavras
enquanto aquela que frágil sou
segue desconfiada
T.
sábado, fevereiro 10
quarta-feira, abril 12
segunda-feira, julho 11
Vaga no olho molhado dor contida. Fica lá quase transbordando, quase querendo voltar a sentimento em ebulição, nó na garganta, dor no peito, frio no estômago. Olho avesso ao espelho, boca calada a palavra. Olho que fica. Olho que se agita irado. Vê o tropeço, lê o oculto, sabe o que esconde. Olha por dentro. Lembra o começo. Olho devoto. Olhos sublimes. Olha o que quer. Cala o que vê. Olhos que iludem, olhos enganados, olho vendado. Olhos nadam, olhos pescam, olhos voam, olhos andam por aí abstraídos do resto do corpo. Olhos têm vida própria e esperam. Ah! Como esperam!olhos de futuro viajante ainda preso ao passado
olhos que inventam histórias e acreditam nelas
Abro os olhos
Olhos de espanto
piscam de quando em quando.
T.
colagem e pintura em prato de vidro, 26cm / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variations

colagem e pintura em prato de vidro, 26cm / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variations
arranca o tempo
espaço de mim
antes que cedo ou tarde
sombra de quem invade
dentro do espaço de mim
que então recebe em demasia
e lança setas que voltam
a esse espaço de mim vazio
pardo
negro
ou escarlate
tereza prado
sexta-feira, março 11
quinta-feira, fevereiro 3
noite
terça-feira, fevereiro 1
e dia
quinta-feira, janeiro 20
O ataque do presente contra o restante do tempo

colagem e pintura em prato de vidro / maria tereza prado
série releituras de Fornasetti, Themes and Variantions
foto / fabiola pereira
noites e dias entre duas cidades tamanha ilusão/
de nada serve/
mesmo que o telefone toque neste instante/
nós já temos um passado ouvi um dia/
o ataque do presente contra o restante do tempo foi um filme que perdi/
e mesmo assim ainda te quero
isso não se pontua entre duas cidades o telefone toca e nesse instante
tamanha ilusão cresce/
e uma espécie de presente arranca o restante do tempo
esse filme que quero ver/
e sinto que mais e mais te quero/
um ponto fugindo do fim/
tereza prado.
A Espera
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